Imagine que você está sentado em alguma lanchonete e pede um pão com manteiga, com apenas uma água para acompanhar. Na hora de sair, recebe a conta e percebe que houve um engano, pois o estabelecimento está cobrando 28 reais. Ao chamar o garçom, vem a surpresa: a conta está toda correta – a água custou 21 reais e o preço do pãozinho com manteiga foi 7 reais. Uma situação impossível, certo? Não se a água tiver sido engarrafada a partir da umidade do ar à margens do rio negro, na Amazônia, e se a manteiga do pão for aromatizada com cacau e servida em formato de vela. Sim, esses produtos existem. E, por causa de seu diferencial e sofisticação, ganham a caracterização de gourmet.

O termo gourmet, originalmente em francês, era usado para designar alguém com um conhecimento extenso sobre a alta cozinha (haute cuisine). A tradução mais próxima para o português seria gastrônomo, que se refere às pessoas que apreciam, com gosto e conhecimento, a culinária. Nos últimos tempos, entretanto, a palavra gourmet ganhou novos significados. Restaurantes, bares e, principalmente, pratos e produtos diversos da culinária passaram a se descrever assim.

São inúmeras as empresas que investem em produtos e serviços gourmet. Nem itens básicos do cardápio escapam da gorumetização e ganham uma versão sofisticada: café, chá, pipoca, hambúrguer, coxinha, espetinho, churros, sacolé, chocolate... Qualquer coisa que possa ganhar caldas e molhos especiais, raspas de limão siciliano e flocos de chocolate belga já está apta para ser gourmetizada. E a procura de consumidores por esses produtos só cresce.   Segundo um levantamento realizado pela Kantar Worldpanel, empresa especializada em painéis de consumo, os consumidores brasileiros estão cada vez mais comprando bens de consumo não duráveis, e procurando a premiunização. De acordo com Marcos Calliari, presidente da Katar, essa procura é resultado do aumento da renda do consumidor nos últimos anos. Com acesso a novos produtos, o brasileiro passou a desejar serviços diferenciados, “buscando praticidade e sofisticação”, afirma Callirari.

MOTIVOS

Mas por que esse desejo pelo universo gourmet? Para o especialista em inovação Valter Pieracciani, existem dois motivos pelo crescente interesse do público. O primeiro é cultural: houve mudança na forma que o brasileiro encara a comida e o ato de comer. “Antigamente, comida era comida e pronto. Os alimentos têm se transformado em outra coisa, em entretenimento, cultura, em momento de curtição”, explica Pieracciani. A valorização da maneira com o ato de comer é percebida e abre espaço para que as pessoas sejam mais exigentes, esperando mais qualidade na produção e apresentação, e gastem mais com isso.

O segundo motivo apontado por Valter Pieracciani é a inovação desse modelo de negócios. Ele afirma que a inovação está ligada ao valor percebido pelo cliente. Se empresas e marcas investem em mudanças no produto ou em sua produção para aprimorar sua qualidade, elas estão inovando. “Inovação não precisa ser radical, não necessita ser algo disruptivo”, explica o especialista. “E se for inovador de verdade, o consumidor premia isso comprando”, destaca.  

Já para o especialista em branding e identidade de marca Guilherme Sebastiany, além da busca pela qualidade, o consumidor busca status. Ele afirma que os produtos gourmet acabam atendendo a necessidades emocionais, como fazer com que o consumidor se sinta parte de uma elite, ou recompensado por seu esforço e trabalho. “Queremos nos sentir especiais e importantes. O consumo de marcas com imagem diferenciada ou exclusiva muitas vezes preenche essa lacuna”, explica Sebastiany.

Mas numa coisa concordam os dois especialista: não basta apenas rotular tudo como gourmet. Se os produtos não apresentam um incremento de qualidade real, o público percebe que está sendo enganado. “Não sustenta, o consumidor não compra”, afirma Valter Pieracciani. Além de perde o consumidor, as marcas ainda podem acabar banalizando de vez o termo. “Existem muitas outras opções dentro do branding para construção de percepção de diferencial além do uso comum do gourmet, mas muitas marcas optam por esse caminho. O problema é que o uso exagerado desse rótulo está eliminando justamente o diferencial que se pretende construir”, explica Guilherme Sebastiany.

E se o consumidor adquire imunidade ao apelo do gourmet, o termo deixa de ser corriqueiro e também vira motivo de piada. Nas redes sociais, tornou-se comum a prática de ridicularizar cardápios e descrições de produtos gourmetizados. Basta acessar página como o Tumblr “A gorumetização da vida” e o Facebook “Raio Gourmetizador”, por exemplo, para ver como o público se diverte com as críticas bem humoradas ao universo gourmet. É, e olha que ainda tem muita coisa que pode ser inventada com esse rótulo.

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